Sair a dançar para entrar a sorrir

Histórias de uma professora que também aprende

Sair do elevador e usar as escadas

De acordo, com os meus alunos, o futuro é um elevador. Obtém boas notas e os botões dos andares seguintes aparecerão. Obtém más notas e só aparecerão botões dos andares abaixo. Não dá para sair do elevador e ir de escadas. 

Ai, que mundo seria este se o destino fosse pré-definido! Um mundo onde nota negativa a Inglês significa nunca falar fluentemente, onde ter várias faltas disciplinares é equivalente a ter problemas com a lei. E formar-nos em Medicina proíbe-nos de sermos antes artistas.

Pelo que percebi, para os adolescentes, a justiça e a previsibilidade são muito importantes, dá-lhes segurança. Entendo isso. Faz sentido. Mas também os limita. Uma falha passa a ser uma falha para sempre. 

Todavia, o mundo é uma infinidade de sabores. Chocolate pode ser um sabor fantástico até descobrirmos caramelo salgado. Mas se ficarmos fartos de caramelo salgado, dá para voltar atrás ou até para experimentar um bolo de canela acabado de sair do forno.

Quis explorar o pensamento dos meus alunos com uma atividade chamada “Futuro Previsível”. Apresentei-lhes quatro perfis de alunos fictícios: dois perfis compostos com as notas dos alunos no final do primeiro semestre, assim como outras informações como faltas disciplinares e o círculo de amigos; os outros dois perfis eram compostos por entradas em diários fictícios. 

O que os alunos não sabiam era que o aluno A, representado pelas notas, era o mesmo que o aluno C, representado pelas entradas no diário. O que aparentava mais dificuldade era o mesmo que ia superar imensos obstáculos no futuro. Quando souberam, a turma ficou boquiaberta.

Muitos não concordaram comigo. “Não, não podem ser a mesma pessoa”. “Não, não podem ter o mesmo futuro”.

O próximo passo da atividade, era cada aluno escrever um texto sobre o futuro que atribuía a cada aluno fictício, comparando depois a sua opinião com a IA.

A IA deu o seu melhor, comentou as várias saídas profissionais possíveis de cada aluno, assim como a sua forma de estar e frisou que o futuro pode sempre mudar.

Ou seja, se a IA não consegue prever o futuro dos alunos, quanto mais os próprios? 

E, por isso, no último dia de aulas deste ano vou levar balões para os meus alunos. Cada balão rebentado deixará um doce na mão do aluno. De que sabor? Só o futuro dirá.

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