No último dia de aulas de cada turma, decidi experimentar algo novo. Queria que essa última aula fosse memorável. Claro que havia o risco de eu começar a chorar, mas as lágrimas fazem parte da vida. O jogo chamava-se “Quem é mais provável?”.
Quem é mais provável adormecer numa entrevista de emprego, tal como fazia nas aulas de sexta-feira?
Quem é mais provável continuar a pedir uma caneta emprestada aos colegas mesmo daqui a dez anos no escritório?
O Diretor da escola apanha a turma a fazer a maior asneira do ano. Quem é o aluno que vocês mandam à frente para falar com ele porque tem a cara mais inocente da sala?
Para jogarmos, forneci aos alunos quadros brancos e canetas apagáveis, nos quais deveriam escrever as suas respostas. De seguida, pedi a todos que levantassem os quadros e decidimos em conjunto quem tinha ganho a ronda. Na segunda parte da aula, os alunos deveriam responder a questões sobre mim.
Escrevam a palavra que a professora mais repetiu ao longo do ano.
Desenhem o gesto que a professora repetiu tantas vezes, que já sabiam de cor.
Descobri coisas muito interessantes. Eu digo muitas vezes “Obrigada!” e “Francisco, senta-te!” (é necessário, Francisco). Faço um gesto com as mãos para eles baixarem o som, que faz lembrar bater num tambor.
Quando estava a arrumar os quadros brancos, no final das aulas, descobri que vários deles não estavam brancos afinal. Havia mensagens de despedida dos alunos.
