Não é falta de capacidade, é falta de prática. É falta de prática não conseguires falar alto o suficiente, é falta de prática não conseguires controlar a turma no início e, acima de tudo, é falta de prática não conseguires decorar o nome dos alunos.
De início eu tinha muita dificuldade (mesmo) em saber o nome dos alunos. Tanta que, a certo ponto, desisti de tentar decorá-los a todos. Insistia comigo que não era possível, que 500 nomes ia além das minhas capacidades. E estava plenamente convencida disso.
Eis o problema: se houver 5 alunos específicos a portarem-se mal, chamar a atenção à turma de pouco serve. Saber o nome dos alunos é essencial, mas mesmo essencial, para controlar o caos da sala de aula.
Contudo, vai muito além disso. Para o aluno, não interessa se o professor tem centenas de alunos, o aluno sabe que é uma pessoa única e especial. Alguém que está com ele todas as semanas, devia saber o nome dele. E o aluno tem razão. Se não soubermos os nomes dos alunos, eles passam a ser apenas números e caras desconhecidas num mar de rostos. Para a relação professor-aluno, o conhecimento dos nomes é o alicerce da casa. É um acordo que diz “Eu, aluno, sou importante, e o professor reconhece isso”.
Quando finalmente percebi a importância de saber os nomes, comecei a fazer um esforço ativo para mudar a minha mentalidade. Sim, eu tenho péssima memória. Sim, eu consigo melhorá-la. Sim, no futuro terei uma memória melhor.
Como decorar então o nome dos alunos? Faço a minha própria planta no início do ano, com base nas informações das reuniões (alunos mais difíceis/tímidos/sensíveis, entre outros, à frente). Coloco os nomes numa folha, que uso todas as aulas para marcar as faltas, atrasos e informações importantes.
Depois de todos se apresentarem, começo: “Ana”, “Ana, Dinis”, “Ana, Dinis, António”, “Ana, Dinis, António, Diogo”, “Ana, Dinis, António, Diogo, Carolina” e continuo a decorar os nomes. O meu próximo passo é, depois de os alunos começarem as atividades propostas, andar com a folha da planta comigo e dizer para mim baixinho “Ok, aqui é a Helena e aqui é o Gustavo” enquanto olho para eles. Repito este processo no primeiro mês, todas as aulas. A vantagem é que eles estão entretidos a trabalhar e posso repetir para mim os nomes as vezes que forem necessárias.
É muito importante também dizeres “Olá!” e “Adeus!” aos alunos, chamando-os pelo nome. É uma excelente forma de continuares a decorar os nomes e os pequenos agradecem. Se neste processo tiveres uma (ou mais) brancas, cumprimenta todos na mesma, substituindo o nome dos que não sabes por “Olá, futuro programador!” ou “Olá, escritora”, dependendo do contexto.
Errar é normal. Nos primeiros meses, eu insistia que o aluno “Francisco” se chamava “Rodrigo”. Passei então a brincar: “Olá! És o Francisco que não é Rodrigo?”; “Sim! Finalmente professora!”.
Errar novamente, é normal também: “Bom dia! Vais ter de me desculpar que eu comi muito queijo hoje. Tu és o Rodrigo ou o Francisco?”. Usa o nome deles o máximo que conseguires.
O segredo está em não desistir. Se olhares para uma montanha ao longe, ela vai parecer enorme e podes ser que desistas de a escalar. O que tu não sabes é que em algumas zonas há uma escada rolante pequenina, vista apenas de perto, que torna o processo bem mais fácil. Arrisca e aproxima-te da montanha, podes surpreender-te.

2 Responses
O grande problema é que depois de um período de férias (bastam duas semanas), varre-se tudo.
Entendo o que queres dizer!😉 O cérebro reinicia para conseguir descansar. Mas as memórias, essas permanecem.☺️