Olhem-me de lado, mas se há coisa que não suporto é seguir o manual página por página. Se o objetivo é treinar o pensamento algorítmico dos alunos, há diversas formas de o fazer, umas muitos chatas, outras pouco chatas. Eu escolho a última.
Depois de muito pensar e pesquisar, decidi usar o livro “Murdle” de G.T. Karber, que usa lógica dedutiva e grelhas de preenchimento para resolver pequenos crimes. Este livro treina a abstração, a decomposição e o reconhecimento de padrões de forma lúdica. Os alunos devem descobrir o culpado do crime, a arma, o local e a motivação.
Como tenho também alunos mais novos (que não têm idade para ouvir falar de assassinatos), usei para esses uma versão desse livro adaptada a crianças chamado “Murdle Júnior”. Nesse caso, o objetivo é descobrir quem roubou um lápis, por exemplo.
Muitos ficaram intrigados com o objetivo da atividade. Por uns segundos senti-me em cheque, mas depois relembrei-me do quão raro é os alunos aprenderem de forma recreativa ao longo do percurso escolar. Não admira que fiquem espantados e achem estranho.
Diverti-me muito mesmo ao explicar-lhes como funcionava o raciocínio por trás das grelhas de preenchimento. Através delas, ensinei aos alunos os operadores lógicos AND e OR e pusemos em prática conceitos de programação tais como ELSE, ELIF e IF.
O que achei mais engraçado foi que houve alunos que decidiram deixar as grelhas e chegar à conclusão estabelecendo as ligações mentalmente. Não sei como fizeram isso, mas lá que as respostas estavam corretas, estavam. Os meus pequenos têm esta capacidade absurda de me deixar boquiaberta.
