Sair a dançar para entrar a sorrir

Histórias de uma professora que também aprende

O professor como lugar seguro

Sabem quando o coração se expande de felicidade e ao mesmo tempo fica apertado de preocupação? É uma mistura estranha, mas acontece quando se é professor. Começou com a pergunta de um aluno, no final da aula, depois do resto da turma ter saído: “Professora, posso ser da sua família?”.

Por um lado, fiquei muito feliz por eu representar um lugar seguro para o aluno. Por outro, tive muito medo do lugar de onde vinha a pergunta. Relembro-me com frequência que por trás de um aluno, há um ser humano que tem uma vida muito para além da aula e da escola. Esse ser humano pode ter sido repreendido pelos pais e estar a guardar as lágrimas, pode ter sido rejeitado pela sua paixoneta no intervalo, pode ter-se chateado com o melhor amigo no dia anterior. 

Há que ter muito tato ao lidar com os pequenos. Nunca se sabe o que se passa por trás do simples “aluno”. Sempre que vejo um olhar muito triste, faço uma de três coisas: passo ao pequeno um papelzinho discreto onde pergunto se está tudo bem e se ele precisa de alguma coisa; pergunto se posso dar um abraço ao aluno em questão; tento fazer o aluno sorrir com algo engraçado. Não, não resulta a grande maioria das vezes, o aluno não fica mais feliz. No entanto, saber que alguém se preocupa conosco, às vezes, é o suficiente para o dia ficar só um bocadinho melhor.

O aluno que me perguntou se podia ser da minha família não passou a sê-lo (claro). Conversámos, para eu compreender melhor o que estava por trás daquela frase. E, no final, escolhi o poder do abraço.

Ilustração de uma fachada de casa com porta e janela, em tons suaves, simbolizando um lugar seguro e acolhedor.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *