Sair a dançar para entrar a sorrir

Histórias de uma professora que também aprende

O Puro Pânico das Apresentações Orais

Como aluna, nem num milhão de anos eu imaginava que viria a ser professora. Eu entrava em pânico quando o professor marcava uma apresentação, fosse de Português, Inglês ou Filosofia. Não interessava a disciplina, todo o processo era um tormento. No dia de apresentação, podiam ver-me a olhar para o fundo da sala, a tremer, suar e até gaguejar. Eu falava baixo e os meus colegas tinham dificuldade em me ouvir. 

Foi uma descoberta lenta, bem lenta. Demorei vários anos para chegar à conclusão de que era esse o caminho que queria seguir. Depois, foi um percurso igualmente moroso até me sentir à vontade junto ao quadro. Qual seria a piada se conseguíssemos tudo o que queremos na hora? Estou a brincar. Seria muito bom, sinceramente. 

Por isso, quando os meus alunos têm medo de falar, medo de estar à frente dos colegas a apresentar, eu entendo. Muito. Mas isso não quer dizer nada. Olho para um aluno tímido e penso: “Uou, este ainda vai participar numa TED Talk, de tão inteligente que é”.  E, quando alguém na minha sala se autoproclama de burro, sou a primeira a chamar à atenção. Qual burro qual quê, esse aluno é tão criativo que vamos ver os desenhos animados dele na televisão.

Hoje sou professora, falo alto e estar à frente de 20 alunos não só não me assusta, como me entusiasma.

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