Há turmas mais difíceis de gerir do que outras, mas há um padrão: no início da adolescência, os alunos são como pirilampos saltitantes.
“Professora! Venha cá!” “A password não funciona!!” “Posso ir à casa de banho?”
Principalmente quando os alunos são pequenos, têm pouca autonomia e ficam frustrados com facilidade. Isso é compreensível. O que não é compreensível — e ultrapassa a linha — é quando um pirilampo não aguenta ficar sentado e voa. Quando estou a esclarecer uma dúvida individualmente, não sei porquê, alguém acha ser a altura perfeita para levantar asas e vir interromper a explicação.
Não só é irritante, como desestabiliza a aula. Foi num desses dias difíceis que tive uma ideia.
A meu ver, o que está por trás do comportamento dos alunos é a ansiedade. Se eles não me chamarem, pensam que posso esquecer-me de os ir ajudar, que posso ajudar outro colega primeiro ou não ouvir as suas novas ideias sobre o trabalho. Então, há que lidar com a ansiedade antes de tudo.
No próximo ano letivo, vou trazer para cada aluno dois copos: um preto e um amarelo fluorescente. Se o aluno não tiver dúvidas, coloca o copo preto em cima do amarelo. Se tiver, o amarelo deve estar em cima do preto. Assim, se eu vir um sinal preto, passo ao próximo aluno. Se vir o amarelo, é porque o pirilampo precisa de mim.
Relativamente a quem me chamou primeiro (uma grande preocupação entre eles), a ordem será da fila do quadro até à última, passando por cada mesa uma vez.
Por vezes, há pedidos urgentes, como um aluno com febre ou uma ida à casa de banho que não pode esperar. Nesse caso, o sistema dos copos abre uma exceção à regra.
Como alguns pirilampos podem achar os copos um tesouro mais valioso do que o ouro, cada um deverá entregar-me o seu par no final da aula.
Vou antes pedir aos pequenos pirilampos que deem asas à imaginação.
