Eu gosto muito de silêncio. Mas quando há muito silêncio na minha aula, acho bem estranho: será que está toda a gente bem? É uma sensação meio esquisita. Prefiro algum ruído de fundo, sinal de que os alunos estão minimamente à vontade e se sentem confortáveis.
Dito isto, há que recarregar as baterias. A bateria social varia de pessoa para pessoa. A dos professores é daquelas viciadas que, quando dás por ela, estão nos 5%. A sobrecarga sensorial é imensa. Há que dar matéria, prestar atenção a cada aluno individualmente, ter olhos nas costas. E ainda relembrar qual foi o último aluno que te chamou (há uma fila invisível que nunca termina). Isto numa turma que se porta bem.
Chego a casa, pouso a mochila no chão e respiro fundo. Penso para mim: “Hoje só tenho tempo de carregar a minha bateria até 50%. É o possível”.
