Um professor para turmas de 25 alunos. Cinco estão atentos, dez distraem-se ao som de um passarinho, cinco não querem estar na escola e mais cinco testam os limites. Já disse que é só um professor? É que é só mesmo um professor.
Sabem aquela imagem caricata de dois pais que não conseguem controlar duas crianças irrequietas? Agora imaginem um pai a ensinar (e manter a ordem) de 25 crianças. Parece um absurdo. Então porque é que é considerado o normal na escola?
Sei que neste momento há uma grande falta de professores. Contudo, não foi sempre esta a realidade. Quando havia excesso de professores, porque é que não mudámos o sistema para todas as disciplinas? Claro que sai mais caro. Obviamente.
Entendo que uma criança gasta a maioria da mesada em coisas superficiais e sobra pouco dinheiro para comida mais saudável como um pacote de leite ou uma maçã. Agora, o estado não é uma criança.
Dois professores simplificam a vida do professor, sim. Porém, o maior favorecido não é o professor, mas sim o aluno. O aluno tem mais apoio individualizado, tem a possibilidade de entender conceitos de duas formas diferentes, a sala fica mais silenciosa devido a mais uma figura de autoridade, o que resulta numa maior aprendizagem de toda a turma.
Creio que muitas vezes ignoramos o papel que os nossos alunos terão no mundo. Conhecimento, respeito pelo outro e, acima de tudo, espírito crítico, podem ser ensinados por muitos: sociedade, pais, colegas. Não esqueçamos, porém, onde o aluno passa a maioria do dia.
