Eu acredito firmemente que tenho entre os meus pequenos futuros programadores, oradores, escritores e, até, detetives. E posso provar.
Criei uma atividade chamada “Crime no Instagram”, em que os meus pequenos tinham de descobrir quem era o culpado por ter roubado a conta do aluno fictício Afonso. Havia três suspeitos, a Inês, o Tomás e a Eduarda, todos amigos do Afonso. Forneci diversas provas, desde áudios a mensagens de WhatsApp. As teorias foram tão originais que me desmanchei a rir e o meu orgulho era tão grande que tive cuidado para não me emocionar.
“Eu já sei o que aconteceu! A Inês estava apaixonada pelo Afonso e chateada porque ele a tinha rejeitado. Ela é a principal suspeita porque, no mapa da sala de TIC que nos deu, ela estava sentada ao lado do Afonso, e conseguiu ver a passe dele (…) Tenho razão, não tenho, professora? Pela sua cara sei que sim!”
A minha teoria preferida tinha sido formulada por um grupo que acreditava que nenhum rapaz teria rabiscado num papel (uma das provas) com uma letra tão bonita. Os meus aspirantes a Sherlock Holmes trabalharam com afinco e contentes da vida, como nunca os tinha visto. Foi daquelas aulas em que eu nem tinha o que fazer, todos trabalhavam de forma autónoma e fazendo pouco barulho (não fosse o grupo ao lado ouvir a sua teoria). Eu fui saltitando de grupo em grupo, feliz como uma criança numa manhã de Natal.
A melhor parte foi que eles viveram o crime de tal forma, que deixei de ver sessões não terminadas na maioria das turmas. O meu plano secreto funcionou.
