Sair a dançar para entrar a sorrir

Histórias de uma professora que também aprende

Quando um professor marca alunos em pouco tempo

Quando eu entrei para esta escola, sabia que só ia ficar um ano. A probabilidade de conseguir outro contrato na mesma escola era muito, muito pequena. De início, isso não me preocupou. É algo que, infelizmente, faz parte da vida de muitos professores, incluindo a minha. O que eu não esperava, era o impacto que isso teria em alguns dos meus pequenos.

“Professora, queremos que continue a dar-nos aula de TIC no segundo semestre!” a que eu respondi que não era possível, para aquele ano escolar a disciplina era semestral. Então, os pequenos continuaram: “Ohh, assim só vai voltar a ser nossa professora daqui a 1 ano! Nós queremos TIC!”. Nessa altura, fiquei sem saber o que dizer. A verdade? Uma meia verdade? Decidi-me pela verdade, adequada à idade deles. 

“Eu queria muito continuar a ser vossa professora, mas o concurso de professores é um pouco difícil. Muito provavelmente, ficarei noutra escola”. Fui recebida por um grande abraço de grupo e uns olhinhos muito tristes. Abracei-os de volta com força, como se com aquele abraço eles tivessem sempre um lugar seguro na sala 25.

Podia interpretar este acontecimento de duas formas: ficar irritada com a situação e rogar pragas ao Ministério da Educação, ou focar-me no impacto que as minhas aulas tiveram nestes alunos. Com isto não quero dizer que devamos aceitar o estado em que a educação está, nada disso. Mas, durante o resto daquele dia, foquei-me nos meus pequenos e ponderei no impacto que pequenos períodos de tempo, 3 meses, 4 meses, podem ter ao longo de uma vida.

Professor abraça alunos simbolizando apoio emocional na escola

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