Se há coisa que adoro, é preparar aulas. Às vezes, acho que gosto tanto de preparar aulas como de as dar. Sabem quando uma criança fica completamente fixa num brinquedo e não te ouve, mesmo que a chames? Comigo é igual quando estou a preparar uma aula. O mundo pára enquanto eu puxo pela imaginação, criando a melhor aula que consigo. Gosto de aulas originais, em que os alunos ficam surpreendidos e vontade de aprender. Gosto de trazer a criatividade deles à superfície e fazê-los pensar.
Num desses momentos, criei a ideia do “Grande Puzzle da Liberdade”, para melhorar a gestão de sala de aula. Tenho turmas em que, todas as aulas sem exceção, me pedem para jogar Minecraft e eu, todas as aulas, recuso. Deu para perceber que é algo que querem muito. Ao mesmo tempo, algumas turmas têm margem de melhoria, seja deixando a sala completamente arrumada ou fazendo um pouco mais de silêncio. Então pensei: como posso levá-los a serem turmas ainda melhores com o prémio de jogar Minecraft no final?
O “Grande Puzzle da Liberdade” consiste numa tabela de 16 quadradinhos, cada um com uma frase escrita: “Deixaram a sala impecável”, “Foram empáticos com os colegas”, “Fizeram perguntas desafiantes”, entre muitas outras. Se todos os alunos, sem exceção, cumprirem um quadradinho numa aula, podem riscá-lo. Por aula, o número máximo de quadradinhos que podem riscar são dois. Quando o puzzle estiver todo riscado, é hora da aula tão esperada. Nessa aula, haverá momentos para jogar Roblox, para jogar cartas, para conversar.
Achei muita graça, porque quando apresentei os puzzle aos meus alunos, em todas as turmas sem exceção, os alunos puxaram uns pelos outros para deixar a sala completamente impecável. Era esse mesmo o meu objetivo: levá-los a perceber que, trabalhando juntos e respeitando os outros, conseguem mais facilmente o que querem.
